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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Confecom: tocar no poder intocável

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fonte: http://blogdejadson.blogspot.com/

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João Brant falou sobre propriedade e concentração dos meios de comunicação

De Curitiba(PR) - O poder das grandes redes de comunicação no Brasil é intocável? Esta indagação me veio à mente ao assistir na quarta-feira, dia 22, palestra seguida de debate de João Brant (do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social) sobre propriedade e concentração dos meios de comunicação.

Pouco mais de 20 pessoas se dispuseram a desafiar a noite fria e chuvosa do inverno curitibano e foram à sede do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (APP-Sindicato) participar do evento, parte da II Jornada pela Democratização da Mídia, organizada pela Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação (CPC/PR).

Mas o desafio é bem maior do que uma noite fria e chuvosa. Os ativistas dos movimentos sociais do Paraná se preparam para - nada mais nada menos - enfrentar o colosso chamado grandes corporações da mídia privada, no bojo da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), prevista para 1 a 3 de dezembro.

CONCESSÕES SÃO CAPITANIAS HEREDITÁRIAS - João Brant, que demonstrou grande domínio do assunto, expôs, com riqueza de conceitos e detalhes, o que podemos considerar um vazio de leis e forças capazes de fazer o antagonismo ao rolo compressor dos veículos de comunicação, especialmente as maiores redes de TV - Globo, a maior disparado com 50% da audiência, Record, Band e SBT.

Ele lembrou a movimentação de entidades da sociedade civil, como o Intervozes, para tentar estabelecer alguns critérios para renovação das concessões da Globo, Band e Record, vencidas em outubro de 2007. No caso da TV Globo, cuja concessão já foi renovada, o máximo que se conseguiu foi uma audiência pública na Câmara dos Deputados, à qual os representantes da emissora nem se abalaram para comparecer.

João Brant, do Intervozes, e Carmelita Berthier, do Projeto Casa Brasil

João Brant, do Intervozes, e Carmelita Berthier, do Projeto Casa Brasil

Em 2011 vencem as concessões das redes SBT e Rede TV e espera-se que os movimentos sociais - vítimas da criminalização imposta pela grande imprensa - possam ter uma atuação mais firme, levando em conta inclusive avanços pretendidos na primeira Confecom. As concessões de TV são de 15 anos (as de rádio, batizadas de outorgas, são de 10 anos). Isto, formalmente, porque na prática, no Brasil, podem ser encaradas como eternas, feudos, capitanias hereditárias.

Como quase nenhuma autoridade ou órgão público demonstra coragem de peitar o poderio ideológico, político e econômico das corporações da mídia, tais concessões são, na prática, renovadas automaticamente. João Brant, revelou, por exemplo, que 36 das 39 rádios FM de São Paulo operam atualmente com outorga vencida, autorizadas através da chamada licença precária.

OUVINTES E TELESPECTADORES INDEFESOS - O Ministério das Comunicações é dirigido pelo ex-empregado da Globo, Hélio Costa, aliado incondicional dos empresários da mídia, cujo núcleo central é dominado por meia dúzia de famílias, os fazedores da cabeça da grande massa dos brasileiros, os verdadeiros donos da chamada liberdade de expressão.

Os acanhados avanços incluídos na Constituição de 1988 estão até hoje sem regulamentação, não há mecanismos de controle do conteúdo da programação, não há qualquer órgão de defesa dos ouvintes e telespectadores.

As rádios e TVs comunitárias, que poderiam ser incentivadas como contrapeso à influência avassaladora dos veículos privados, são perseguidas e seus dirigentes tratados muitas vezes como bandidos. O tratamento dado pelo governo federal às rádios e TVs comunitárias pode ser visto como um termômetro da fragilidade da nossa suposta democracia।
PROPRIEDADES CRUZADAS NA MÍDIA - O palestrante falou também do escandaloso cruzamento de propriedades dos meios de comunicação no Brasil - um mesmo grupo empresarial pode ter, simultaneamente, uma rede de TV, emissoras de rádio e jornais impressos. Tal absurdo é proibido ou tem limitações em países capitalistas como Estados Unidos, Inglaterra e França, onde há leis que limitam também outras formas de concentração, consideradas danosas à democracia.

Aliás, graças ao nosso incansável guerreiro cibernético, Heitor Reis, de Belo Horizonte, li matéria e vi o vídeo da pancadaria, ocorrida nesta quarta-feira, dia 22, no parlamento da Coréia do Sul, onde a maioria governista conseguiu aprovar emenda que autoriza a tal propriedade cruzada. Os filhos de Roberto Marinho, que são donos da Rede Globo, jornal O Globo e não sei mais o quê, poderiam comentar risonhos: “Ah, isso é coisa normal na democracia brasileira!”

João Brant falou muito mais e, ao final, respondeu várias perguntas e comentários, sob a mediação de Carmelita Berthier, do Projeto Casa Brasil, um projeto de inclusão digital do governo federal. (Um palpite pessoal deste repórter: creio que sem mobilização popular, sem o povo nas ruas, os movimentos sociais vão sair da Confecom de mãos vazias).

Quem quiser conhecer mais sobre o tema é só acessar http://www.intervozes.org.br/ e http://www.direitoacomunicacao.org.br/ .

SISTEMA PÚBLICO DE COMUNICAÇÃO - A II Jornada pela Democratização da Mídia continua no próximo dia 8, um sábado, a partir das 9 horas, sempre na APP-Sindicato. Será sobre Desafios do sistema público: a complementaridade necessária, com palestra de Jonas Valente, também do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social. A programação, iniciada em 11 de julho, se estende até 5 de setembro, com mais dois debates: Digitalização e convergência das mídias e Universalização da banda larga, inclusão digital e Internet. A CPC/PR realizou a primeira jornada no mês de abril.

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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Jornada pela Democratização da Comunicação

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24 a 27 de abril em Curitiba (PR)

Democratizar as Comunicações para Democratizar o Brasil

Sem democracia nas comunicações, a luta do campo popular seguirá sendo criminalizada e as demandas continuarão sofrendo diariamente tentativas de deslegitimação. É fundamental, portanto, que façamos da batalha pela democratização da mídia uma de nossas prioridades. Diversos movimentos e organizações sociais estão se mobilizando por essa causa.

Participe da Jornada pela Democratização da Comunicação.

INSCREVA-SE

Oficina de Capacitação para Rádios Comunitárias

Dias 24 e 25 (sexta e sábado), a partir das 9 h.
Local: Casa Brasil (Rua São Francisco, 214, Sítio Cercado)

Inscrições pelo telefone 3233-8192 ou pelo site http://www.minuano.org/?q=inscricao

Debate MPB - Música para Baixar

Dia 24 (sexta-feira), às 19 horas
Local: Salão Nobre da APP Sindicato (Galeria Asa, 14 Andar)

Seminário Estadual Pró-Conferência de Comunicação

Dia 26 (domingo), das 8h às 17h30min.
Local: CEPAT (Rua João Batista Gabardo, 151 - Sítio Cercado)

Audiência Pública: Controle da Internet e a democratização dos meios de comunicação

27 (segunda-feira), às 9h.
Local: Plenarinho da Assembléia Legislativa do Paraná (Praça Nossa Senhora da Salete, s/n)

Lançamento da Comissão Pró-Abraço

27 (segunda-feira), às 18h30min.
Local: Salão Nobre da APP Sindicato (Galeria ASA, 14 andar)

Programação completa e ficha de inscrição: 3092-0463
www.proconferenciaparana.com.br

Organização

Comissão Paranaense Pró Conferencia Nacional de Comunicação, Coordenação dos Movimentos Sociais - PR, Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social, Assembléia Popular, Abraço, Pontão de Cultura Minuano, Pontão de Cultura Kuai Tema, APP Sindicato, Sindijor-PR, Coletivo Soylocoporti, CUT - PR, Terra de Direitos, Cefuria, Centro Che, Conselho Regional de Psicologia Paraná, UNE, UPE, DCE UFPR, Associação de Software Livre, Casa Brasil, PSL - PR, Fermacom - PR, MST, Cáritas, Fórum Paranaense de Economia Solidária.

Apoio

Governo do Estado do PR, Liderança do PT na ALEP, Diretório Municipal do PT, Mandato do Deputado Dr. Rosinha, Mandato do Deputado Professor Lemos, Mandato do Deputado Péricles, Mandato do Deputado Tadeu Veneri, Mandato do Deputado Angelo Vanhoni.

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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Anatel destrói ilegalmente 8 toneladas de equipamentos

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Por Bia Barbosa - para o direitoacomunicacao.org.br
Na última quarta-feira (8), o escritório regional da Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel) em São Paulo, com o suporte logístico e político da Prefeitura Municipal, destruiu cerca de oito toneladas de equipamentos apreendidos em operações de fiscalização de emissoras de rádio não autorizadas. Ao todo, 17 mil discos e CDs, 750 transmissores, 70 antenas e dezenas de computadores e aparelhos de som se transformaram em sucata no hangar da Vasp, no aeroporto de Congonhas.

Segundo a Anatel, todos os equipamentos encontravam-se sem homologação pelas autoridades responsáveis e provocavam interferências no controle de tráfego aéreo e nas transmissões de emissoras comerciais. Eles teriam sido apreendidos em cinco anos de operações da Agência no estado e correspondiam a dois mil processos concluídos pela Justiça, que teria autorizado sua destruição.

Este é um ato simbólico do combate à ilegalidade em São Paulo. Aqui tem lei e ela será respeitada”, disse o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que fez questão de subir no rolo-compressor e posar para os flashes da grande imprensa comercial, que prestigiou em massa o acontecimento. “É fundamental que o material seja destruído, para mostrar que não teremos tolerância com quem faz isso. Nosso objetivo é fechar todas as rádios piratas e ilegais, que trazem riscos à vida das pessoas. Se é clandestina, tem que ser eliminada”, sentenciou Kassab.

Além do prefeito e dos veículos comerciais tradicionais, o ato de destruição contou com a presença de policiais federais, militares, civis, de diversos secretários do governo municipal e da cúpula do escritório regional da Anatel em São Paulo. Para Everaldo Gomes Ferreira, gerente regional da agência, “uma rádio clandestina é um caminhão na contramão” do espectro.

Estas emissoras, acrescentou, aparentam ter um “fascínio pela ilegalidade”. “Temos que respeitar a lei e a lei não se respeita. Todas essas rádios nunca buscaram a legalização. Até onde sei – porque sou da Anatel e não do Ministério das Comunicações –, o Ministério faz exigências, tenta localizar os responsáveis, manda correspondência para mandar documentação e essas pessoas não são localizadas”, alegou.

Um relatório da subcomissão criada para avaliar os processos de outorga de concessões de rádio e TV da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados revelou, no entanto, que os processos para obtenção da autorização de operação para uma rádio comunitária podem levar até 3,6 anos. O governo federal já reconheceu o problema ao ter instalado dois grupos de trabalho, um em 2003 e outro em 2005, para tentar resolver o acúmulo de processos. Apesar de ambos terem produzido recomendações e relatórios finais, as medidas sugeridas nunca foram implantadas pelo Ministério das Comunicações e por outros órgãos do Executivo Federal.

Ilegalidade na destruição

A Anatel justificou a destruição dos equipamentos dizendo se tratarem de provas materiais de crimes. “É igual a uma arma”, disse Everaldo Ferreira. Garantiu que a agência tem como uma de suas prerrogativas a destruição de equipamentos e alegou que não faria sentido doar as 8 toneladas que ali estavam porque “hoje o custo de aquisição de materiais como estes é cada vez mais barato, sem contar que são de origem duvidosa”.

No entanto, segundo o juiz federal aposentado Paulo Fernando Silveira, consultado pelo Observatório do Direito à Comunicação, a absoluta maioria dos equipamentos apresentados na operação da Anatel e da Prefeitura de São Paulo não poderia ser inutilizada. Ao contrário da apreensão de drogas, por exemplo, os transmissores, antenas, computadores, mesas de som e CDs não são produtos proibidos pela lei, não sendo, portanto, passíveis de destruição. Ao serem adquiridos no mercado interno de forma lícita, são propriedade permanente daqueles que o compraram, mesmo que sejam considerados pela Justiça provas materiais de um crime.

“Mesmo um revólver, se estiver registrado no nome de alguém, deve ser devolvido pela Justiça após o término de um processo, independentemente se a pessoa foi condenada ou não, porque o bem não é ilícito. Se o processo terminou e ninguém requereu os bens, a União não se torna proprietária automaticamente. Teria que devolvê-los. Portanto, se a Anatel destruiu esses equipamentos, o fez ilegalmente e terá que indenizar essas pessoas. Mesmo se havia ordem judicial para isso, ela era abusiva e ilegal. Todos os proprietários devem entrar com ação de perdas e danos, porque o juiz mandou destruir algo que é seu, de sua propriedade”, afirma Silveira.

A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) questiona a existência de decisão judicial para a destruição dos equipamentos. “Se há um processo judicial, quem provocou a Justiça a se pronunciar sobre isso? Talvez nem processo exista”, analisa Jerry Oliveira, diretor da associação em Campinas.

Para Paulo Silveira, o direito à comunicação está garantido na Constituição Federal como um direito individual e coletivo, e o Estado não pode, portanto, aboli-lo. “Sua função é apenas de gestor do espectro; é uma função administrativa. O dono do espectro é o povo, de modo que o exercício de um direito individual não pode ser considerado crime”, acredita o juiz federal. “A lei que criminaliza a radiodifusão não autorizada é que é inconstitucional – e não a conduta que é criminosa”, completa.

Descriminalização na pauta do Congresso

Neste momento, estão em tramitação no Congresso Nacional dois projetos de lei que descriminalizam o exercício não autorizado da radiodifusão comunitária. Ou seja, em vez de abordar a prática a partir de uma perspectiva penal, propõem fazê-lo mediante infrações administrativas.

“Se aprovarmos a lei da descriminalização e a anistia dos processados, esses atos judiciais se tornarão sem efeito. Como é então que as rádios vão ter acesso a esses equipamentos, que foram destruídos?”, questiona José Sóter, coordenador-geral da Abraço. “No mínimo, foi uma prevaricação da Anatel, que deveria ter ouvido todos os lados da questão antes de destruir os equipamentos”, afirma.

Ação orquestrada

Por pressão dos grandes radiodifusores, o projeto de lei que anistia as rádios comunitárias (que já havia sido aprovado na CCTCI e estava sob avaliação da Comissão de Constituição e Justiça) foi remetido pelo deputado Raul Julgmann (PPS-PE) à Comissão de Combate ao Crime Organizado. A manobra se coaduna com a operação da Anatel realizada esta semana, em São Paulo, que tratou a destruição dos equipamentos como uma ação de combate ao crime.

Como eles mesmo disseram, foi um ato simbólico, orquestrado pelos setores que são contrários à descriminalização das emissoras comunitárias, para reforçar a idéia dos radiodifusores comerciais de que rádio comunitária derruba avião. Por outro lado, vivemos o processo de convocação da Conferência Nacional de Comunicação. Ao sinalizar que está defendendo o interesse dos meios comerciais, a Anatel atende à necessidade da grande mídia de ganhar a opinião pública para as teses que ela defende, e que serão tema da Conferência. Ou seja, uma atividade midiática e pirotécnica como essa responde a dois objetivos dos meios comerciais”, avalia Sóter.

Na tarde dessa quinta-feira (9), o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação divulgou nota pública condenando o vandalismo da Anatel em relação a um patrimônio coletivo e de inestimável valor social para as comunidades. Para o FNDC, a destruição de equipamentos de rádios comunitárias constitui um ato de prepotência, representa uma atitude deliberada contra a democratização da comunicação e deixas às claras os temores de setores empresariais frente à Conferência Nacional de Comunicação.

“A destruição dos equipamentos também representa uma cabal demonstração de ignorância sobre o papel fundamental da comunicação para a consolidação da democracia, o fortalecimento da sua pluralidade e dos laços culturais da nação brasileira”, diz a nota, que conclui cobrando da Anatel explicações ao povo brasileiro. Do contrário, entidades que lutam pela democratização da comunicação poderão fazê-lo através de uma ação judicial, que já está sendo avaliada nacionalmente.

* Colaborou Lucas Krauss

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