Reportagem Letícia França
Edição Juliana Vitulskis
Retirado do Comunicação On-line
Foi decretada no dia 16 de abril de 2009, pelo poder executivo, a convocação para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que será realizada do dia 1º a 3 de dezembro de 2009 em Brasília. A 1ª Confecom terá como tema “Comunicação: Direito e Cidadania na Era Digital”.
A Conferência é a forma mais democrática de se estabelecer políticas públicas. Na área da comunicação, as discussões sempre se limitaram ao poder público e aos grandes empresários. Com a Conferência, a sociedade civil organizada terá a oportunidade de também apresentar e votar em propostas que poderão compor políticas públicas. “É uma grande vitória para a sociedade civil. Agora poderemos debater a comunicação assim como debatemos em conferências a saúde e a educação”, declara Carmelita Berthier, da Coordenação Nacional do Projeto Casa Brasil.
O governo divulgou a lista dos que irão compor a Comissão Organizadora Nacional, que deverá formular o regimento interno da Conferência. Entre os pontos mais discutidos estão o caráter deliberativo da Conferência, a proporção dos segmentos na eleição de delegados e o temário do processo. A Comissão será formada por 28 membros, sendo 12 do poder público - 8 indicados pelo Executivo Federal e 4 pelo Congresso Nacional - e 16 representantes da sociedade civil.
Na avaliação da Comissão Paranaense, a proporção entre entidades do campo popular e empresários na Comissão Organizadora da 1ª Confecom é desfavorável e injusta. “De 16 membros da sociedade civil apenas sete não são do setor empresarial. O modelo seguido nas demais conferências, de privilegiar o debate público, amplo e democrático, inicia capenga na Confecom”, reivindica Rachel Bragatto, do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social. Segundo ela, a Comissão já tinha conhecimento de que nem todos os setores progressistas poderiam estar representados, mas acredita que, da forma como está, ocorre uma sub-representação popular em contrapartida de uma super-representação dos empresários.
Em nota, a Comissão Paranaense Pró-Conferência se manifesta: “É inadmissível que a representação das entidades e organizações sociais seja cortada de forma a garantir, inclusive, uma super representação dos empresários. Esses grupos possuem um grande poder econômico e político, mas são, na realidade, uma minoria ínfima da população brasileira”.
Paraná articulado
Democracia, direitos humanos, comunicação, articulação e luta foram palavras de destaque no Seminário Estadual Pró-Conferência de Comunicação, que ocorreu no dia 26 de abril, durante a Jornada pela Democratização da Comunicação, em Curitiba. O seminário foi uma preparação para a etapa estadual da Confecom.
A Comissão Paranaense Pró-Conferência aprovou no evento duas notas. Uma referente ao processo desencadeado pelo Decreto Presidencial de 16 de abril de 2009 e regulado pela Portaria 185, publicada em 20 de abril de 2009, que convoca a Confecom e outras providências. E outra, referente ao PL do Azeredo, que trata da regulação penal da Internet. As notas também foram aprovadas na Audiência Pública realizada na Assembleia Legislativa do Paraná, no dia 27 de abril.
O evento também contou com a participação de diversos representantes de entidades da sociedade civil. Foram realizadas mesas de discussões que abordavam temas como: “Conferência de Comunicação sob o prisma da sociedade civil: contextualização e desafios”, e “Que Conferência de Comunicação queremos? O temário da sociedade civil”.
Segundo a comissão, a democratização das comunicações é uma forma de trazer para os meios de comunicação, de maneira ética, a diversidade cultural e religiosa, discutir questões de gênero, promover a inclusão social nos meios, ampliar a qualidade na produção do conteúdo e entender a comunicação como um direito.
O cenário da comunicação social brasileira
A Constituição Brasileira reconhece a importância da comunicação para a nação, mas não há no Brasil nenhuma regulamentação específica para a área, o que facilita o não cumprimento dos artigos da Constituição relacionados ao tema. Além disso, falta controle público sobre a comunicação no país. Outro fator preocupante é a concentração das propriedades dos meios de comunicação nas mãos de poucos. “No Brasil há liberdade de imprensa, porém a imprensa não é livre”, expressa o Deputado Federal Doutor Rosinha (PT-PR).
Para a Comissão Paranaense Pró-Conferência, a convocação da Conferência é uma vitória para a democracia brasileira. “É um marco na regulamentação das comunicações. Não é uma forma de controle, mas de abranger mais a realidade social. Além de permitir uma programação mais aberta e pensar a produção da comunicação como forma de sustentabilidade” acredita Josué Lopez, da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço).
Os debates sobre democratização da mídia acontecem no Paraná desde 2006, com a organização das rádios comunitárias. Hoje são mais de 20 entidades da sociedade civil em defesa dessa causa. Entretanto, ainda há muito que se fazer, defende Carmelita: “A sociedade é a mais atingida pelos meios de comunicação. Mesmo assim, as pessoas não notam a importância de debater o assunto. Temos que nos engajar, mostrar o que queremos. É a nossa vez de falar e não apenas ouvir”.
As reuniões e encontros da Comissão Paranaense Pró-Conferência estão abertas para todos da sociedade. “Precisamos unificar todas a entidades do campo progressista e articular, por meio da Conferência, nossos objetivos. Só de maneira coordenada e articulada vamos ter avanço nesse processo” acredita Rachel.
Comissão Paraense Pró-Conferência Nacional de Comunicação
Organização: Coordenação dos Movimentos Sociais - PR, Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social, Assembleia Popular, Abraço, Pontão de Cultura Minuano, Pontão de Cultura Kuai Tema, APP Sindicato, Sindijor-PR, Coletivo Soylocoporti, CUT - PR, Terra de Direitos, Cefuria, Centro Che, Conselho Regional de Psicologia Paraná, UNE, UPE, DCE UFPR, Associação de Software Livre, Casa Brasil, PSL - PR, Fermacom - PR, MST, Cáritas, Fórum Paranaense de Economia Solidária.
Apoio: Liderança do PT na ALEP, Diretório Municipal do PT, Mandato do Deputado Dr. Rosinha, Mandato do Deputado Professor Lemos, Mandato do Deputado Péricles, Mandato do Deputado Tadeu Veneri, Mandato do Deputado Ângelo Vanhoni.
Site: www.proconferenciaparana.com.br
Comissão Organizadora Nacional da Conferência
O Executivo será representado pela Casa Civil da Presidência da República e pelos ministérios das Comunicações, da Ciência e Tecnologia, da Cultura, da Educação, da Justiça, pela Secretaria de Comunicação Social e pela Secretaria-Geral da Presidência da República. Enquanto cada órgão do governo indicará um membro, Câmara e Senado poderão indicar dois cada uma.
Dentre as 16 vagas para representantes da sociedade, oito serão ocupadas por entidades representativas do empresariado: Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), Associação Brasileira de Provedores Internet (Abranet), Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Associação dos Jornais e revistas do interior do Brasil (Adjori Brasil), Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), Associação Nacional de Jornais (ANJ) e Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil).
As outras oito cadeiras serão preenchidas por uma entidade ligada às emissoras públicas educativas estatais, Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pelo Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social, pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e por mais quatro organizações representativas do campo: Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM), Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Federação Interestadual dos Trabalhadores de Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert).