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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Direito à comunicação e o movimento no Paraná: definindo nossos rumos

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A I Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro do ano passado, foi uma importante conquista dos movimentos sociais e um marco na história da comunicação no Brasil. Mas a Confecom só terá sentido se as resoluções dos movimentos sociais aprovadas na Conferência forem efetivadas. Além disso, estamos vivendo um período eleitoral e a democratização deve estar na pauta dos debates e no programa dos candidatos.

Por isso convocamos organizações e delegados que foram à Confecom para a Plenária Estadual que acontecerá no dia 11 de setembro de 2010, em Curitiba, no Sintracom (Rua Mateus Leme, 324). Será um momento importante para pensar os próximos passos da Comissâo Paranaense e articular as organizações e movimentos. Se agende e participe. Sua contribuição é fundamental!

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Carta I Conferência Livre de Comunicação de Curitiba

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Realizou-se na última terça-feria (06/10) a I Conferência Livre de Comunicação de Curitiba, no Espaço Cultural dos Bancários. Representantes de mais de 30 entidades compareceram, e a partir desse debate foram tiradas propostas de políticas pela democratização da comunicação. As sugestões deliberadas serão encaminhadas para a etapa estadual da conferência, que acontecerá nos dias 06, 07 e 08 de novembro.

Carta da I Conferência Livre de Comunicação de Curitiba Leia o texto completo »

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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pinhais sediará etapa regional da Confecom

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I Conferência Livre de Comunicação e Região Metropolitana acontece no próximo sábado em Pinhais

Em preparação para as etapas estadual e nacional da Conferência de Comunicação (Confecom), eventos ocorrem em todo o Paraná no mês de outubro. Após a etapa de Curitiba, realizada no último dia 06, a região da capital contará com a I Conferência Livre de Curitiba e Região Metropolitana, em 17 de outubro, no munícipio de Pinhais.

Participantes da I Conferência Livre de Comunicação de Curitiba.

Participantes da I Conferência Livre de Comunicação de Curitiba.

Pela manhã, haverá mesa de debate com o tema “Democratizar as comunicações é necessário”, abrangendo os três eixos da Confecom - produção de conteúdo, meios de distribuição e cidadania: direitos e deveres. Os convidados são Mário Messagi Júnior, professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Paraná (Decom – UFPR); Carmelita Berthier, da Casa Brasil e Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação (CPC – PR); Elson Faxina, professor do Decom – UFPR e diretor de jornalismo da Rádio e Televisão Educativa do Paraná; e Laura Schuli, da Terra de Direitos e CPC – PR.

No período da tarde, a programação prevê a divisão dos participantes em grupos de trabalho, que debaterão e elaborarão propostas a serem aprovadas na plenária final. As resoluções consensuais serão encaminhadas para a Conferência Estadual de Comunicação, que acontecerá em Curitiba nos dias 06, 07 e 08 de novembro.

Etapa de Curitiba contou com mais de 80 participantes

O Centro Cultural dos Bancários foi palco de um debate amplo na noite do dia 06. O deputado estadual Professor Lemos (PT - PR) e o representante da Secretaria de Comunicação Social do Paraná Geraldo Serathiuk abriram o evento. Na sequência, iniciou-se a mesa de debate, que problematizou o cenário das comunicações.

Elza Oliveira, professora do curso de jornalismo da Universidade Positivo (Unicenp), apontou que as notícias internacionais são repassadas por um punhado de agências de notícias, assim como as nacionais. “Isso implica em hegemonia de pontos de vista – por isso a importância da regionalização, para que tenhamos várias versões e análises, a partir de diversos pontos de vista”, defendeu Elza.

Mário Messagi (UFPR), Aniela Almeida (Sindijor e CPC - PR) e Elza Oliveira (Unicenp) compuseram a mesa de debate, que contou com a mediação de Silvana Prestes (Sindicato dos Professores do Paraná e CPC - PR).

Mário Messagi (UFPR), Aniela Almeida (Sindijor e CPC - PR) e Elza Oliveira (Unicenp) compuseram a mesa de debate, que contou com a mediação de Silvana Prestes (Sindicato dos Professores do Paraná e CPC - PR).

No final, foi aprovada uma carta com deliberações da I Conferência Livre de Comunicação de Curitiba. “A sociedade exerceu seu direito de debater sobre a comunicação e conseguimos aprovar propostas que refletem a demanda de várias instâncias da sociedade”, acrescenta Aniela.

A partir da experiência de Curitiba, que contou com participação de mais de 30 entidades, Messagi está otimista em relação à etapa regional. “Acredito que a conferência em Pinhais superará qualquer momento anterior de discussão em âmbito local no que se refere às comunicações, em termos de participação e construção de propostas”, declara.

A I Conferência Livre de Comunicação de Curitiba e Região Metropolitana ocorrerá no dia 17/10, na Secretaria de Educação (Av. Iraí 696) às 8h, em Pinhais. Para quem é de Curitiba, um ônibus sairá do Sindijor (R. José Loureiro 211) às 7h.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mobilizações para a Conferência de Comunicação intensificam-se em todo o estado

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Etapas regionais e estadual antecederão a I Conferência Estadual de Comunicação

A menos de três meses da I Conferência Nacional de Comunicação, que ocorrerá no início de dezembro, aceleram-se os procedimentos das etapas preparatórias. Em Curitiba, a Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação se reunirá na próxima terça-feira no Sindicato dos Jornalistas do Paraná (Sindijor). Estarão em pauta as conferências regionais que ocorrerão no estado em outubro, além da preparação da etapa estadual, a ser realizada nos dias 6, 7 e 8 de novembro.

Etapas regionais em Foz do Iguaçu, Londrina, Pinhais, Campo Mourão e Guarapuava já estão com data marcada. Toledo, Maringá, Cascavel e Apucarana também realizarão conferências regionais, contudo não confirmaram sua agenda. Curitiba ainda contará com uma etapa municipal, que acontecerá em 6 de outubro. “A I Conferência Livre de Comunicação de Curitiba será um importante espaço de debate e mobilização para a regional livre, que ocorrerá em Pinhais”, declara Aniela Almeida, do Sindijor.

Francisco Beltrão inaugura etapas regionais no Paraná

O município de Francisco Beltrão sediou a primeira Conferência Livre de Comunicação no estado, abrangendo a região sudoeste, em 11 de setembro. Plenárias, debates e grupos de trabalho abordaram diversos temas relacionados à democratização da comunicação, tais com concessões de rádio e televisão, novas tecnologias, comunicação pública e comunitária, educação e cultura, assim como uma análise local das comunicações.

Segundo o professor Pedro de Almeida, um dos organizadores da etapa regional do sudoeste, o debate foi bastante construtivo, e um total de 28 diretrizes e ações foram deliberadas nos Grupos de Trabalho. “A expectativa é que, na estapa estadual, como teremos mais tempo para discussão, os temas possam ser aprofundados”, avalia o professor.

Conferência Livre no oeste

A próxima etapa regional livre ocorrerá em Foz do Iguaçu, no dia 3 de outubro. Tanea Costa de Jesus, presidente do núcleo municipal do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná, conta que a mobilização para a conferência envolve estudantes, profissionais da área e movimentos sociais. A presidente argumenta que o fato da conferência ser livre permite que a discussão seja mais democrática, a partir do ponto de vista dos trabalhadores.

Quanto à etapa estadual, Tanea acredita que será um importante espaço de debate, mas que não se pode esperar que gere mudanças radicais, pois o poderio da mídia é muito grande. “Conferência significa conferir o que está posto; entretanto, conferir não é o suficiente, é necessário que haja mudanças”, defende. Tanea compreende que devemos nos preparar, formular propostas alternativas e lutar, porém não será em apenas uma conferência que todos os problemas da comunicação serão resolvidos. “É apenas o início de um longo trabalho”, conclui.

AGENDA

Conferências Livres Municipais
Curitiba: 06/10 – Espaço Cultural dos Bancários (rua Piquiri, 380) - 18h.

Ponta Grossa: 14/10 - Grande Auditório da UEPG - 18h.

Conferência Municipal
Londrina: 09 e 10/10.

Conferências Livres Regionais
Foz do Iguaçu: 03/10 – Câmara dos Vereadores – 08h.

Campo Mourão: 16/10 – Fecilcam – 08h.

Guarapuava: 19/10 – Unicentro – 08h.

Pinhais: 17/10 - Secretaria de Educação (Av. Iraí 696) - 08h.

Cascavel: 17/10.

Toledo: 17/10.

Maringá: 17/10.

Conferência Estadual de Comunicação
Curitiba: 6, 7 e 8 de novembro.

Venha se somar à Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação!

Próxima reunião: 29 de setembro, às 09h no Sindijor (rua José Loureiro, 211).

Mais informações:
Michele Torinelli – 41 9228-9478
http://proconferenciaparana.com.br

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domingo, 13 de setembro de 2009

Reunião terça-feira (15), 9 horas, no Sindijor

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A Conferência de Comunicação está chegando e o ritmo de mobilização se acelera. Estamos há menos de dois meses da etapa estadual paranaense, que acontecerá nos dias 6, 7 e 8 de novembro, de acordo com o novo decreto (ainda a ser publicado). Mas, para chegarmos lá preparados para colocar nossas pautas e mobilizados para avançarmos nos debates, precisamos seguir intensamente articulando nossas ações e operando a luta.

Para isso, teremos uma reunião extraordinária terça-feira, 15/09, às 9 horas, no Sindijor (Rua José Loureiro, 211). A pauta é extensa e fundamental. Em debate a portaria estadual, etapa paranaense, mobilização no interior, Conferência de Curitiba e Região Metropolitana.

Por isso, convidamos todos e pedimos que repassem o convite. Não esqueçam: terça-feira, 9 horas, no Sindijor.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Acordo sobre regimento interno não é consenso entre entidades

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Do Observatório do Direto à Comunicação

O acordo sobre o regimento interno da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) foi recebido de maneira diversa pelas entidades envolvidas no processo. Do lado dos empresários, é clara a satisfação com o resultado do longo processo de pressão sobre o governo e a comissão organizadora. Os representantes empresariais que se mantiveram na Comissão Organizadora Nacional (CON) já falam, inclusive, em trazer de volta as seis entidades que se retiraram da Confecom.

Já as organizações e movimentos sociais têm se dividido entre avaliações que vão de uma visão altamente positiva das definições do regimento até uma análise da conjuntura pós-acordo como muito difícil para as forças que defendem mudanças nos padrões das políticas de comunicação.

O acordo sobre o regimento foi selado em reunião realizada na terça-feira (25) entre os três ministros responsáveis pela Confecom (Hélio Costa, das Comunicações, Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, e Franklin Martins, da Comunicação Social), as duas entidades empresariais que se mantiveram na CON (a Abra, que reúne os grupos Band e RedeTV!, e a Telebrasil, que representa o setor de telecomunicações) e os representantes da sociedade civil não-empresarial na mesma comissão.

Antes desta reunião, empresários e movimentos haviam se encontrado para tentar chegar a um consenso. Até aquele momento, estava sobre a mesa a proposta sustentada pelo governo e negociada com o conjunto das entidades empresariais: a divisão de delegados numa proporção 40-40-20 (40% das vagas para representantes do empresariado da comunicação, 40% para as organizações não-empresariais da sociedade civil e 20% para representantes do setor público) e o quórum de 60% para aprovação de propostas em temas considerados “sensíveis”.

Abra e Telebrasil tentaram modificar a exigência de quórum para 60%+1, alegando que só assim estaria garantido o apoio de todos os setores a uma determinada proposição. Chegaram a afirmar, nas duas reuniões, que não se importariam de flexibilizar a composição das delegações de cada setor, dando a entender que o que queriam manter era a possibilidade de serem o fiel da balança nas votações polêmicas da Confecom. Durante o encontro com o governo, os ministros chegaram a apontar novas formas de divisão de delegados. Os empresários insistiram na fórmula do quórum e a maioria das entidades não-empresariais cedeu em relação à proporção em troca de não se aprovar o 60+1 e aumentar o número de delegados de 1.000 para 1.500.

Ao final, o acordo manteve a divisão dos delegados como negociada anteriormente com os empresários e uma fórmula de quórum qualificado para aprovação de medidas que exige 60% com pelo menos um delegado de cada setor votando a favor da proposta. Das oito entidades não-empresariais na Comissão Organizadora Nacional, apenas o Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social apresentou voto contrário ao acordo.

Negociações

Para Flávio Lara Resende, representante da Abra, o acordo foi “a melhor forma” encontrada nas negociações, mas ele comemora, sobretudo, o que ele significa em termo das relações entre os setores. “Todos os lados cederam. Vimos que é possível sentar à mesa e negociar”, avaliou. Segundo ele, a Abra entende essa conferência “não como uma guerra, mas como um espaço de convergência”.

Apesar de o acordo dirigir-se francamente à acomodação dos interesses empresariais, o representante da Abra diz que o setor abriu mão da proposta de um número reduzido de delegados. Já em relação ao quórum, diz que a fórmula final atende ao espírito do que já defendiam. “Para nós o quórum qualificado era uma garantia de que seríamos ouvidos porque a sociedade civil não empresarial está muito organizada. Daí a importância de termos garantido ao menos dentro dos 60% um voto de cada setor, porque isso obriga minimamente todos a sentarem numa mesa e negociar. Se não fosse assim, não seríamos ouvidos.”

Nem a proporção de delegados aprovada, tampouco o quórum qualificado para aprovação de propostas consideradas sensíveis foram práticas nas dezenas de conferência que foram realizadas pelo governo federal nos últimos anos. Durante as reuniões ao longo do processo de negociação, os governo vinha defendendo a idéia de que esta não era uma conferência como as outras e que era preciso garantir a presença de todos os setores para garantir que os resultados da Confecom sejam implementados. Em outras palavras, só aquilo que puder ser negociado com o empresariado da comunicação pode ganhar peso para ser implementado.

“A primeira Confecom vai nos ensinar a lidar com o setor das comunicações e suas complexidades”, afirmou Celso Schröder, da Coordenação Executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), entidade que também compõe a CON. Em sua avaliação, os parâmetros acertados na reunião foram os possíveis para “garantir o debate” na Conferência Nacional de Comunicação.

Comemorações

“A existência da Conferência por si mesma já representa uma grande vitória, uma vitória da sociedade civil brasileira, mesmo diante da tentativa de sabotagem do empresariado”, avaliou. Segundo Schröder, a Confecom ocorrerá nos moldes defendidos pelo FNDC e as entidades que o compõe no sentido de discutir as questões da comunicação e propor políticas públicas.

A Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCom), através de nota, mostrou-se ainda mais entusiasmada com a perspectiva de realização da Confecom. “A introdução desse tema na agenda pública das discussões nacionais já é uma revolução, em todos os sentidos que se possa analisar”, diz a nota. A associação foi a primeira das entidades da sociedade civil com assento na Comissão Organizadora Nacional a afirmar publicamente que aceitaria as condições apresentadas pelos empresários para garantir a realização da Conferência.

Em audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Roseli Goffman, representantes do Conselho Federal de Psicologia na coordenação do FNDC e também na CON, afirmou que o acordo era positivo pois garantia aos movimentos sociais “uma representação de 40% nos debates da comunicação quando antes não se tinha 1%”.

Concessões

Na opinião de Jonas Valente, que representa o Intervozes na CON, as regras estabelecidas comprometeram o caráter amplo e democrático do processo, embora não tirem a importância da iniciativa como marco do debate público sobre a área no país. “O acordo fechado foi problemático, pois apontou que há um ‘ambiente de entendimento’ entre as partes em que apenas um dos lados, a sociedade civil não empresarial, cede”, avaliou. “O governo, por sua vez, tem muita dificuldade de se posicionar de maneira mais firme em relação às condições e excessos propostos pelos empresários. O governo deve sim tentar envolver todos os setores para realização da Conferência e não apenas os empresários.”

A Comissão Nacional Pró-Conferência de Comunicação, articulação com mais de 30 entidades criada há dois anos para pressionar pela realização da Confecom, vinha defendendo uma divisão de delegados que diferenciasse apenas o setor público da sociedade civil organizada, sem distinção entre empresários e não-empresários, seguindo a proporção 20-80. A CNPC também rechaçava qualquer tipo de quórum qualificado. A proposta da CNPC teve o apoio formal de pelo menos 10 comissões estaduais Pró-Conferência. As articulações nos estados também têm avaliado como problemático o acordo, inclusive porque ele deve reverberar sobre os regimentos das etapas regionais.

Segundo Valente, o quórum qualificado de 60% mais a exigência de no mínimo um voto de cada segmento na apreciação de propostas relacionadas a temas “sensíveis” dificulta a aprovação de resoluções sobre questões mais polêmicas e impõe uma dinâmica de mediação extrema a estes debates. “É importante buscar o entendimento entre os setores, mas isso não pode ser a única forma conduzir as discussões, sob o risco de buscar uma supressão artificial das divergências normais e conhecidas entre diferentes segmentos”, avalia.
“Conferência possível”

Para duas das entidades sindicais com assento na Comissão Organizadora Nacional, o acordo sobre o regimento é insatisfatório, mas necessário. Tanto a Central Única dos Trabalhadores (CUT) quanto a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (Fitert) indicam descontentamento com o acordo, mas afirmam que, diante das pressões do empresariado e da disposição do governo para acomodar o setor dentro do processo, foi preciso ceder para garantir a realização da Conferência.

Para Rosane Bertoti, secretária de Comunicação da CUT, a negociação esbarrou nos limites dos interesses dos empresários que o governo estava disposto a enfrentar.”A CUT entende que esta foi a Confecom possível, mas que esta não é uma conferência dentro dos padrões democráticos que a gente defendia nem está dentro dos padrões democráticos das outras conferências já realizadas por este governo”, disse.

“Ficamos frustrados de não termos conseguido encaminhar as propostas de grande parte dos movimentos pró-conferência estaduais, principalmente na questão da divisão dos delegados. Muitas das comissões desaprovaram formalmente essa negociação, emitindo nota pública sobre o tema”, comentou Nascimento Silva, coordenador da Fitert. “Para não cometer erros e ficarmos com a imagem de que nós é que não queríamos os empresários na Conferência, tivemos que fazer concessões alem do imaginário.”

Futuros problemas

Tanto Rosane como Nascimento apontam para um cenário de dificuldades. Para a secretária da CUT, mesmo a aprovação do texto final do regimento - prevista para a próxima terça-feira (1 de setembro) - ainda pode ser motivo de novas disputas e pressões do empresariado.

O coordenador da Fitert, por sua vez, indica dificuldades para mobilizar os diferentes atores, já que as definições do regimento podem frustrar muitos deles. “Mesmo com a conferencia possível, precisamos unir forças agora. Agora não é mais a comissão [organizadora] que terá papel importante e sim todos os segmentos sociais já envolvidos nos seus estados”, afirmou.

Para Jonas Valente, do Intervozes, a postura das associações empresariais de estarem sempre condicionando a sua participação à imposição das suas pautas é muito preocupante, tanto em relação aos próximos passos para a realização da Confecom, quanto no debate dos temas da Conferência. “Isso indica que este segmento terá privilégios para fazer valer suas posições e para represar qualquer proposta contrária aos seus interesses durante a Conferência”, avaliou.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Não à cota empresarial: por uma Conferência de Comunicação legítima e democrática

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Por considerar a 1a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) uma conquista histórica do povo brasileiro, que pela primeira vez poderá participar da elaboração das políticas públicas na área da Comunicação, a Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação (CPC-PR) vem a público manifestar sua contrariedade à proposta do governo federal em relação à proporcionalidade de delegados para a Confecom.

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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Confecom: tocar no poder intocável

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fonte: http://blogdejadson.blogspot.com/

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João Brant falou sobre propriedade e concentração dos meios de comunicação

De Curitiba(PR) - O poder das grandes redes de comunicação no Brasil é intocável? Esta indagação me veio à mente ao assistir na quarta-feira, dia 22, palestra seguida de debate de João Brant (do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social) sobre propriedade e concentração dos meios de comunicação.

Pouco mais de 20 pessoas se dispuseram a desafiar a noite fria e chuvosa do inverno curitibano e foram à sede do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (APP-Sindicato) participar do evento, parte da II Jornada pela Democratização da Mídia, organizada pela Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação (CPC/PR).

Mas o desafio é bem maior do que uma noite fria e chuvosa. Os ativistas dos movimentos sociais do Paraná se preparam para - nada mais nada menos - enfrentar o colosso chamado grandes corporações da mídia privada, no bojo da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), prevista para 1 a 3 de dezembro.

CONCESSÕES SÃO CAPITANIAS HEREDITÁRIAS - João Brant, que demonstrou grande domínio do assunto, expôs, com riqueza de conceitos e detalhes, o que podemos considerar um vazio de leis e forças capazes de fazer o antagonismo ao rolo compressor dos veículos de comunicação, especialmente as maiores redes de TV - Globo, a maior disparado com 50% da audiência, Record, Band e SBT.

Ele lembrou a movimentação de entidades da sociedade civil, como o Intervozes, para tentar estabelecer alguns critérios para renovação das concessões da Globo, Band e Record, vencidas em outubro de 2007. No caso da TV Globo, cuja concessão já foi renovada, o máximo que se conseguiu foi uma audiência pública na Câmara dos Deputados, à qual os representantes da emissora nem se abalaram para comparecer.

João Brant, do Intervozes, e Carmelita Berthier, do Projeto Casa Brasil

João Brant, do Intervozes, e Carmelita Berthier, do Projeto Casa Brasil

Em 2011 vencem as concessões das redes SBT e Rede TV e espera-se que os movimentos sociais - vítimas da criminalização imposta pela grande imprensa - possam ter uma atuação mais firme, levando em conta inclusive avanços pretendidos na primeira Confecom. As concessões de TV são de 15 anos (as de rádio, batizadas de outorgas, são de 10 anos). Isto, formalmente, porque na prática, no Brasil, podem ser encaradas como eternas, feudos, capitanias hereditárias.

Como quase nenhuma autoridade ou órgão público demonstra coragem de peitar o poderio ideológico, político e econômico das corporações da mídia, tais concessões são, na prática, renovadas automaticamente. João Brant, revelou, por exemplo, que 36 das 39 rádios FM de São Paulo operam atualmente com outorga vencida, autorizadas através da chamada licença precária.

OUVINTES E TELESPECTADORES INDEFESOS - O Ministério das Comunicações é dirigido pelo ex-empregado da Globo, Hélio Costa, aliado incondicional dos empresários da mídia, cujo núcleo central é dominado por meia dúzia de famílias, os fazedores da cabeça da grande massa dos brasileiros, os verdadeiros donos da chamada liberdade de expressão.

Os acanhados avanços incluídos na Constituição de 1988 estão até hoje sem regulamentação, não há mecanismos de controle do conteúdo da programação, não há qualquer órgão de defesa dos ouvintes e telespectadores.

As rádios e TVs comunitárias, que poderiam ser incentivadas como contrapeso à influência avassaladora dos veículos privados, são perseguidas e seus dirigentes tratados muitas vezes como bandidos. O tratamento dado pelo governo federal às rádios e TVs comunitárias pode ser visto como um termômetro da fragilidade da nossa suposta democracia।
PROPRIEDADES CRUZADAS NA MÍDIA - O palestrante falou também do escandaloso cruzamento de propriedades dos meios de comunicação no Brasil - um mesmo grupo empresarial pode ter, simultaneamente, uma rede de TV, emissoras de rádio e jornais impressos. Tal absurdo é proibido ou tem limitações em países capitalistas como Estados Unidos, Inglaterra e França, onde há leis que limitam também outras formas de concentração, consideradas danosas à democracia.

Aliás, graças ao nosso incansável guerreiro cibernético, Heitor Reis, de Belo Horizonte, li matéria e vi o vídeo da pancadaria, ocorrida nesta quarta-feira, dia 22, no parlamento da Coréia do Sul, onde a maioria governista conseguiu aprovar emenda que autoriza a tal propriedade cruzada. Os filhos de Roberto Marinho, que são donos da Rede Globo, jornal O Globo e não sei mais o quê, poderiam comentar risonhos: “Ah, isso é coisa normal na democracia brasileira!”

João Brant falou muito mais e, ao final, respondeu várias perguntas e comentários, sob a mediação de Carmelita Berthier, do Projeto Casa Brasil, um projeto de inclusão digital do governo federal. (Um palpite pessoal deste repórter: creio que sem mobilização popular, sem o povo nas ruas, os movimentos sociais vão sair da Confecom de mãos vazias).

Quem quiser conhecer mais sobre o tema é só acessar http://www.intervozes.org.br/ e http://www.direitoacomunicacao.org.br/ .

SISTEMA PÚBLICO DE COMUNICAÇÃO - A II Jornada pela Democratização da Mídia continua no próximo dia 8, um sábado, a partir das 9 horas, sempre na APP-Sindicato. Será sobre Desafios do sistema público: a complementaridade necessária, com palestra de Jonas Valente, também do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social. A programação, iniciada em 11 de julho, se estende até 5 de setembro, com mais dois debates: Digitalização e convergência das mídias e Universalização da banda larga, inclusão digital e Internet. A CPC/PR realizou a primeira jornada no mês de abril.

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quinta-feira, 16 de julho de 2009

As ameaças ao caráter amplo e democrático da Conferência Nacional de Comunicação

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Jonas Valente e Carolina Ribeiro - Observatório do Direito à Comunicação

Em janeiro deste ano, após pressão e reivindicações de diversos setores, inclusive daqueles ligados ao empresariado que atua na área de mídia, o presidente Lula anunciou a disposição do governo em convocar a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Em abril, um decreto presidencial oficializou a iniciativa, definindo o seu tema - Comunicação: meios para a construção de direitos e cidadania na era digital - e agendando sua etapa nacional para 1o a 3 de dezembro, em Brasília.

O segundo passo foi a montagem da Comissão Organizadora Nacional, que recebeu a incumbência de definir as regras do processo e garantir a execução de todas as suas etapas. O organismo foi composto por oito representantes do governo federal, oito de associações empresariais, quatro do Congresso Nacional e sete de agremiações sindicais, movimentos sociais e organizações que lutam pela democratização da comunicação, além de um das entidades do campo público de televisão.

Apenas em junho a Comissão Organizadora iniciou seus trabalhos, dedicando-se à tarefa primordial da elaboração e aprovação do regimento interno da Confecom. Pairava naquele momento uma incerteza quanto às possibilidades de equalizar os interesses divergentes em jogo. A previsão era que as polêmicas centrais girariam em torno do temário (conjunto de temas a ser debatido nas várias etapas do processo) e do método de escolha dos delegados à etapa nacional.

Porém, antes que tais controvérsias pudessem ser apreciadas e explicitadas, instaurou-se um impasse político que estagnou o andamento dos trabalhos da Comissão e a conclusão do regimento interno, prevista para o dia 9 de julho. Os representantes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) apresentaram “condições mínimas”, ou premissas, que deveriam constar no regimento com vistas a garantir a participação do empresariado de radiodifusão no decurso do processo.

Entre elas estão: (1) a defesa do conteúdo nacional, (2) a proteção dos serviços e outorgas atuais frente à turbulência tecnológica da convergência midiática, (3) a defesa intransigente das práticas da legalidade, (4) o respeito e a valorização das empresas brasileiras de comunicação escrita ou de radiodifusão dirigidas e orientadas editorialmente por brasileiros, (4) o livre exercício da atividade de comunicação e de informação, por pessoa e organizações, e (5) a mínima interferência estatal.

A Abert também defendeu que “não se perdesse o foco” no tema central da Confecom, interpretado pela entidade como os desafios relativos ao “futuro” do setor. Em audiência pública realizada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados (CCTCI) no último dia 8 de julho, um representante da associação advogou que as discussões da Conferência “começassem e terminassem na Internet”.

Ou seja, a agenda de temas e propostas do empresariado de radiodifusão - uma legítima visão para ser apresentada nas discussões nas diversas etapas do processo - foi transformada em condição para a manutenção deste segmento no processo da Confecom.

Tal posição precisa ser problematizada fortemente. No que tange às premissas reclamadas pela Abert, a defesa a priori dos interesses de um setor nos objetivos ou mesmo como premissas de uma Conferência não respeita a lógica de funcionamento de uma iniciativa como esta. Como já ocorreu em dezenas de eventos deste tipo organizados pelo Executivo Federal desde 2003, uma Conferência presume a abertura de um espaço para debate público entre as diversas partes envolvidas. Suas regras precisam assegurar esta amplitude, o envolvimento da população e dos diversos segmentos interessados na área. Mas não devem legitimar a consolidação da pauta de determinado segmento como tema indiscutível ou como premissa dos debates. Tal opção ameaça a Confecom como espaço de discussão pública sobre as políticas de comunicação.

Não se pode ignorar que a Conferência deve partir do modelo institucional das comunicações atual, incluindo a Constituição Federal, leis e outras normas. No entanto, como espaço de avaliação e proposição das ações do poder público em uma determinada área, suas resoluções podem, inclusive, apontar para a mudança das estruturas ou do ambiente normativo existente.

Quanto ao mérito das premissas colocadas pelos radiodifusores, fazemos aqui um parêntese que consideramos relevante. Parte delas deve ser entendida como temas importantes para o debate da Conferência. A defesa do conteúdo nacional é uma questão central e importantíssima na discussão sobre a revisão do marco institucional das comunicações brasileiras. Ela precisa ser tratada com atenção, pois já há décadas a mídia brasileira recorre ao expediente de produções estrangeiras, sobretudo estadunidenses, nas diversas mídias difusoras de conteúdos audiovisuais.

Porém, a defesa dos valores culturais brasileiros não pode ser confundida com a prerrogativa de valorizar, a priori, os meios de comunicação comerciais. Falar em conteúdo nacional deve significar falar também na expressão da diversidade e pluralidade de vozes, culturas, regiões, visões, gêneros e formatos, o que hoje não é assegurado nem pela legislação, nem pelas TV e rádios comerciais brasileiras.

Para que a Conferência realize seu caráter de espaço amplo e democrático, tampouco é adequado restringir os assuntos que ali serão discutidos. Se é fato que algumas manifestações dos representantes dos radiodifusores por vezes advogam contra a “proibição” de qualquer debate, a insistência do foco no “futuro” deve ser tomada com cuidado. Faz-se necessário afirmar algo tão óbvio quanto importante: o futuro surge apenas como sucessão do presente, fazendo-se necessário, para planejar aquele, partir dos elementos estruturais e conjunturais do agora.

O argumento utilizado pelos radiodifusores para sustentar este recorte temático parte do lema constante no decreto que convocou a Confecom, cujo final menciona a “era digital”. No entanto, a “era digital” é exatamente esta em que vivemos hoje, um complexo sistema que reúne dos meios mais “primitivos” e das constantes necessidades de atendimento mais banais da população - como falar ao telefone ou ter acesso a um meio impresso - aos desafios trazidos pela convergência de conteúdos, plataformas de distribuição e dispositivos de recepção. “Era digital”, portanto, não pode ser confundida, em hipótese alguma, com as novas plataformas digitais, sendo estas apenas uma parte do problema. A limitação do escopo do tema é também uma ameaça à Confecom quanto à sua necessidade de atender ao déficit histórico de debate público sobre o setor no Brasil.

Ainda em relação às demandas apresentadas pela Abert, está a defesa de que a eleição dos delegados respeite uma proporção paritária, reservando dentre os eleitos 33% ao poder público, 33% ao empresariado e 33% à sociedade civil não empresarial. Ora, será que os donos dos veículos de comunicação e das empresas de telefonia e internet representam 1/3 da população brasileira? Se isso fosse verdade, poderíamos comemorar a quebra da concentração de propriedade que marca a mídia no país, já que contaríamos com 60 milhões de operadores diferentes.

Ao contrário, o segmento empresarial é absoluta minoria em relação ao conjunto da população brasileira e às suas diversas representações, que não se esgotam nos movimentos sociais representados na Comissão Organizadora Nacional. Logo, não se pode conceber que a eles seja garantida tamanha representação. O justo é que eles disputem as vagas de delegados com toda a população, cabendo ao voto de cada cidadão a decisão de qual o percentual que o empresariado representa na Conferência.

Desafios para o governo

O governo federal tem papel fundamental, pelo peso auto-concedido na Comissão Organizadora, na resolução dos impasses colocados. Seria estranho qualquer tipo de abandono da prática adotada nas outras dezenas de Conferências de assegurar uma arena ampla e aberta de debate na qual os diversos segmentos podem colocar suas posições para encontrar aproximações ou equalizar divergências por meios consolidados como as votações.

A condução firme do governo para garantir que a Confecom cumpra seus objetivos e a necessidade de acelerar o processo são tão importantes quanto a atenção a aspectos operacionais do processo. Desde a primeira reunião, o Ministério das Comunicações ficou com a responsabilidade de enviar aos governadores de todo Brasil uma carta oficial conclamando os executivos estaduais a participarem do processo. Até hoje não foi enviado nenhum documento neste sentido, ação fundamental para dar credibilidade à realização da etapa nacional e segurança para as etapas estaduais e municipais.

Outra preocupação operacional é o local onde será realizada a etapa nacional. Os principais centros de convenções de Brasília já estão com reserva para a data da I Confecom. Sob o risco de não haver local adequado, em meados de junho um dos membros da Comissão Organizadora, representante da sociedade civil não empresarial, realizou uma pré-reserva na Academia de Tênis de Brasília, como um possível espaço para a realização do evento. Na época, o Ministério das Comunicações assumiu o compromisso de efetivar a reserva, o que não foi feito. A justificativa foi que isso só seria possível quando houvesse a recomposição dos recursos.

Cronograma e recursos

Se a resolução do impasse torna-se crucial à continuidade da Confecom, não menos importante é a solução de outros dois obstáculos centrais ao bom andamento do processo: o tempo para o desenvolvimento das etapas e os recursos.

Quanto ao primeiro caso, se considerado o agendamento da etapa nacional para o início de dezembro deste ano, a demora na conclusão do regimento interno pode asfixiar o processo pela falta de tempo para a sua necessária interiorização e mobilização dos mais diversos segmentos sociais interessados. A insuficiência de tempo para a realização das etapas preparatórias - municipais, intermunicipais e livres -, previstas para ocorrer antes dos eventos estaduais, marcados para setembro e outubro, coloca-se como mais uma ameaça à plena realização da Confecom.

Mesmo que todas as barreiras elencadas sejam vencidas, ainda coloca-se um impeditivo extremamente grave: os recursos. O Congresso Nacional reservou R$ 8,2 milhões para a Confecom. Em maio, este valor foi reduzido pelo governo federal a R$ 1,6 milhão, montante considerado insuficiente até mesmo pela equipe do Ministério das Comunicações, órgão responsável pela coordenação da iniciativa.

Já chegou ao Congresso Nacional o PL 27/2009, que recompõe integralmente os recursos da Confecom. Porém, com o início do recesso parlamentar, a tramitação até a aprovação final do projeto corre o risco de estender ainda mais os preparativos para todas as etapas da Conferência. Informações do Ministério das Comunicações sinalizam para a possibilidade de que o repasse seja feito por outros meios. A solução, independente do caminho escolhido, deve assegurar a recomposição dos recursos o mais breve possível, de modo que o processo de preparação das etapas possa de fato ser iniciado.

O cenário é definitivamente preocupante. As sinalizações de membros do governo têm apontado que há uma firme convicção sobre a importância de fazer acontecer a I Conferência Nacional de Comunicação. Esperamos que tais intenções se confirmem e que esta não seja iniviabilizada nem política nem estruturalmente.

Esta iniciativa é bandeira histórica dos movimentos que lutam pela democratização da comunicação e pela afirmação da comunicação como um direito humano. Este campo, organizado em torno da Comissão Nacional Pró-Conferência, tem demonstrado disposição ímpar para levar a cabo este marco histórico para as comunicações brasileiras. E continuará a fazê-lo, acreditamos, contribuindo com disposição ao diálogo, mas também com firmeza em suas posições para fazer da Conferência um efetivo espaço público.

Resta aos agentes envolvidos no processo encarar a tarefa histórica de retirar os cidadãos da posição de simples espectadores de meios e consumidores de serviços e elevá-los de fato à condição de sujeitos. Sem isso, falar em liberdade de expressão ou em sociedade democrática continuará soando como um discurso vazio.

* Jonas Valente é jornalista, repórter do Observatório do Direito à Comunicação e representa o Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social na Comissão Organizadora da I Conferência Nacional de Comunicação.
* Carolina Ribeiro é jornalista e integrante do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social.

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terça-feira, 14 de julho de 2009

Mulher não é só bunda e peito

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Por Jadson Oliveira - blogdejadson.blogspot.com

Este pode ser o grito de guerra que resume o debate inicial da II Jornada pela Democratização da Mídia: rumo à Conferência de Comunicação, realizada no sábado, dia 11, na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (APP-Sindicato). Tudo foi organizado pela Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação (CPC/PR).

A primeira palestra foi de Rachel Moreno, da Articulação Mulher e Mídia, conhecida militante do movimento feminista. Falou da necessidade dos movimentos sociais atuarem na primeira Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), convocada para dezembro deste ano, visando mudar a forma como as mulheres são retratadas na mídia, reflexo direto do machismo, uma mazela entranhada na sociedade brasileira.

FUNDAMENTALISMO CONSUMISTA - Ela discorreu sobre a utilização da mulher a partir da revolução industrial, seu papel na reposição da força de trabalho, até a “loucura” dos dias atuais em que ela é peça chave na engrenagem do fundamentalismo consumista. Concluiu pela urgência de controle social da mídia, especialmente da TV - controle do conteúdo, outorga ou não de concessões, publicidade sujeita a critérios e limites, etc.

Transcrevo algumas de suas declarações registradas na Internet (http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/artigos/1012.html), refletindo o conteúdo de sua palestra: “Estamos mexendo com o aparelho ideológico do Estado. O controle acaba sendo gerado pela produção de imagens, valores, atitudes e modelos. E a TV produz e controla cabeças, corações, mentes e bolsos em todo mundo. Neste sentido, a TV acaba entrando definitivamente em todas as casas e em nossas vidas na construção da nossa subjetividade”.

“A TV é a voz mais socialmente aceita a apresentar a imagem dos fatos e dos valores e isso nos preocupa. Este é um poder concedido a pessoas que o exercem com fins comerciais, sem parar pra pensar na responsabilidade social que este poder carrega. Não queremos mostrar simplesmente a nossa versão dos fatos, mas o mínimo que podemos esperar é que a TV retrate a diversidade da sociedade em todas as suas dimensões, e que todas as pessoas encontrem nela seu espaço, já que a comunicação é uma via de duas mãos. Não podemos só ler e assistir: a comunicação está inscrita entre os direitos humanos e todos devem ter o direito de participar”.

TV FORMA AS CONSCIÊNCIAS - “E tudo isso vale não só para a TV, mas para toda mídia. Quando passamos em uma banca de jornal, temos uma idéia de como se vê a mulher e sobre o que se pensa que a mulher deseja: peito, bunda e cozinha. Vale pra impresso, rádio, TV e Internet, mas sabemos que a TV ainda é o meio mais poderoso na formação das consciências”.

A palestra A imagem da mulher na mídia, seguida de debates, foi mediada por Janeslei Albuquerque, secretária educacional da APP-Sindicato e da Marcha Mundial das Mulheres. No mesmo sábado, foram discutidos mais três temas: o racismo, a homofobia e a publicidade infantil na TV, assuntos que serão objeto de matérias deste blog.

CONCENTRAÇÃO DA MÍDIA NO DIA 22 - No próximo dia 22, a segunda jornada prossegue com o debate sobre a concentração dos meios de comunicação, dentro dos preparativos dos ativistas e da sociedade civil do Paraná de olho nos embates a serem travados com os poderosos empresários da mídia na Confecom. Até 5 de setembro, haverá discussões ainda sobre a complementaridade necessária do sistema público de comunicação, digitalização e convergência e sobre a Internet.

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